Fisiologia da maturação folicular na ultrassonografia
- julho 8, 2024
- Postado por: GinecoAcademy

Folículo
- Imagem cística de parede fina, redonda ou oval, avascular, de aparência simples (unilocular , anecoica), ≤3 cm de maior diâmetro


Correlação prática
1. Na idade reprodutiva, deve ser descrito no laudo como FOLÍCULO (O-RADS 1), não como cisto

2. Devido ao tamanho e ausência de antro folicular (espaço intercelular preenchido por líquido folicular), os folículos pré-antrais não são identificados no US

3. Na avaliação da reserva ovariana através da contagem de folículos antrais (CFA), soma-se o número de folículos entre 2 e 10 mm no diâmetro médio, em ambos ovários observados com USTV durante a fase folicular precoce (entre os dias 2-5 do ciclo menstrual)

4. Segundo o Consenso internacional da SOP (2023), o limiar para definição de morfologia ovariana policística é ≥ 20 folículos entre 2-9 mm em pelo menos 1 ovário e/ou um volume ovariano ≥ 10 cm3 em qualquer ovário, evitando corpos lúteos, cistos ou folículos dominantes (em USTV com frequência ≥ 8 MHz)

5. O folículo dominante geralmente é observado a partir do 8-9º dia do ciclo e apresenta taxa de crescimento média de 2 mm∕dia
6. Alguns sinais morfológicos de ovulação iminente podem ser observados no US e não devem ser confundidos com achados suspeitos:
Cumulus ooforus
- Uma pequena imagem cística anecóica (ou mais raramente grupo de cistos) no interior do folículo dominante
- Corresponde a múltiplas células da granulosa (células do cumulus) que aumentam ao redor do ovócito e desempenham múltiplas funções na sua maturação final
- Ovulação em até 36h
- Pode ser visualizado 12-24 horas antes da ovulação em 60-65% dos casos

Outros:
- Descolamento da granulosa
- Crenação ∕ espinhos de roseira

A ausência destes achados tem pouco significado na previsão da ovulação
Corpo lúteo
- Imagem cística ≤ 3 cm com parede espessada lisa difusamente ± Ecos internos avasculares
- Vascularização periférica (muitas vezes intensa) com fluxo sanguíneo de baixa resistência – também conhecido como anel de fogo (“ring of fire”)


Também pode ser identificado como: Região hipoecóica no ovário sem componente cístico central característico, mas com fluxo periférico ao Doppler
- Mais difícil de ser visualizado, correspondendo ao corpo albicans após a luteolise
- Segundo o ORADS, “fluxo periférico” e “anel de fogo” não são descritores preferíveis, recomenda-se usar fluxo doppler circunferencial na parede do cisto

Referências:
- Laing FC, Allison SJ. US of the ovary and adnexa: to worry or not to worry?. Radiographics. 2012;32 (6): 1621-39. (acesse)
- Andreotti R, Timmerman D, Strachowski L et al. O-RADS US Risk Stratification and Management System: A Consensus Guideline from the ACR Ovarian-Adnexal Reporting and Data System Committee. Radiology. 2020;294(1):168-85. (acesse)
- Smith KA, Parvinian A, Ainsworth AJ, Shenoy CC, Packard AT. Normal and Abnormal Appearances of the Ovaries during Assisted Reproduction: Multimodality Imaging Review. Radiographics. 2023 Nov;43(11):e230089. (acesse)
- Coelho Neto MA, Ludwin A, Borrell A, Benacerraf B, Dewailly D, da Silva Costa F, Condous G, Alcazar JL, Jokubkiene L, Guerriero S, Van den Bosch T, Martins WP. Counting ovarian antral follicles by ultrasound: a practical guide. Ultrasound Obstet Gynecol. 2018 Jan;51(1):10-20. (acesse)
- Campbell S. Ultrasound Evaluation in Female Infertility: Part 1, the Ovary and the Follicle. Obstet Gynecol Clin North Am. 2019 Dec;46(4):683-696. (acesse)
Veja também:

